A Lista Negra - Jennifer Brown

22 de abr de 2016

 “E se você desejasse a morte de uma pessoa e isso acontecesse? E se o assassino fosse alguém que você ama? O namorado de Valerie Leftman, Nick Levil, abriu fogo contra vários alunos na cantina da escola em que estudavam. Atingida ao tentar detê-lo, Valerie também acaba salvando a vida de uma colega que a maltratava, mas é responsabilizada pela tragédia por causa da lista que ajudou a criar. A lista com o nome dos estudantes que praticavam bullying contra os dois. A lista que ele usou para escolher seus alvos. Agora, ainda se recuperando do ferimento e do trauma, Val é forçada a enfrentar uma dura realidade ao voltar para a escola para terminar o Ensino Médio. Assombrada pela lembrança do namorado, que ainda ama, passando por problemas de relacionamento com a família, com os ex-amigos e a garota a quem salvou, Val deve enfrentar seus fantasmas e encontrar seu papel nessa história em que todos são, ao mesmo tempo, responsáveis e vítimas. A lista negra, de Jennifer Brown, é um romance instigante, que toca o leitor; leitura obrigatória, profunda e comovente. Um livro sobre bullying praticado dentro das escolas que provoca reflexões sobre as atitudes, responsabilidades e, principalmente, sobre o comportamento humano. Enfim, uma bela história sobre auto-conhecimento e o perdão. ”

  Eu achei interessante ler esse livro por ele abranger um assunto tão sério como o bullying, e por eu nunca ter lido nada sobre o assunto. O livro mescla partes do jornal local sobre o ocorrido no Colégio Garvin, com partes do presente e passado, precisamente do dia em que o tiroteio aconteceu na praça de alimentação, um pouco antes da primeira aula.


  O livro vai contar a história de Valerie Leftman, uma menina de 16 anos que estuda nesse mesmo colégio. Val namora um garoto chamado Nick e tem seus amigos como qualquer outra pessoa, com apenas uma diferença. Sabe quando os populares da escola meio que te escolhem do nada e sem motivo aparente para te humilhar todos os dias? Então, isso acontecia muito com os dois.

  Sempre chamavam o Nick e esquisito e Valerie era chamada de Irmã da Morte. Não importava o local, sempre que tinham chance eles faziam de tudo para mexer com eles, mesmo que isso ferisse seus sentimentos.

  Como uma forma de desabafar, Valerie começou a escrever os nomes das pessoas que não largavam do pé dela. Na hora da raiva ela desejava que eles estivessem mortos, por isso criou a Lista Negra. Um dia Nick viu essa lista e ambos começaram a escrever nela. Os nomes aumentavam dia após dia.
Alguns dias antes do tiroteio Nick estava diferente, como se algumas características do Nick que ela conheceu, tivessem sido substituídos por outros, dos quais ela não gostava. Ela tinha certeza que isso era influência de um cara com o qual seu namorado passara a andar: Jeremy.

  Nick e Val falavam muito sobre morte. Principalmente da morte das pessoas da lista. Às vezes, aos olhos de quem está de fora, esse tipo de coisa pode parecer uma simples brincadeira ou mera implicância, normal por causa da idade. Sem darem conta da gravidade da situação. Um dia, precisamente 2 de maio de 2008, Valerie pegou o ônibus como sempre fazia, torcendo para que Christy não a visse.


“ ‘Todos tem aquela pessoa que pega no nosso pé...’, dizia mamãe, desculpando-se com um sorriso. Christy Bruter era a minha pessoa.
No Ensino Fundamental, Christy me chamava de castor Mascado. No sexto ano, começou um boato de que eu usava calçola, o que, no Ensino Fundamental ll, era coisa séria. E, no Ensino Médio, ela resolveu que não gostava da minha maquiagem e das minhas roupas e me apelidou de Irmã da Morte, o que todo mundo achava hilário. ”


  Infelizmente, ela notou Val e em uma dessas brincadeiras de mal gosto, acabou quebrando o MP3 dela. É claro que para Christy isso não tinha a mínima importância.
Valerie ficou muito irritada com o que aconteceu.


“ ' Não quero mandar arrumar', respondi. ' Quero matá-la. Nossa, poderia arrancar fora a cabeça daquela estúpida. Ela vai se arrepender por isso. Vou fazê-la pagar .' "


  Ela contou para Nick o que tinha acontecido. Ele passou seu braço em volta dos ombros dela, e pronto, lá estava o Nick por quem ela se apaixonara, o cara que a defendia sempre.


"‘Vamos acabar com isso ', disse ele. Eu balancei a cabeça em direção à Praça de Alimentação, meus olhos procurando Christy Bruter, meus dentes rangendo."


  Valerie nunca imaginou que Nick iria pegar a arma e atirar em Christy.  O que ela queria é que ele desse um susto nela, não daquele jeito. Ela entrou em choque e quando se deu conta, percebeu que ele não havia parado em Christy, mas continuava atirado, como se estivesse caçando, marcando um alvo pré estabelecido. Foi então que entendeu. Ele estava “eliminando” os nomes da lista.

  No meio disso tudo, Valerie acaba salvando uma das meninas que mais odiava, e quando faz isso acaba levando um tiro do seu namorado que, não suportando a ideia de ter machucado Val, se mata dando um tiro na própria cabeça.

  Por Val ser namorada do Nick, as pessoas supuseram que ela sabia do plano dele. Algumas pessoas divergiam quanto ela ser cúmplice, vítima ou heroína.

  O livro me emocionou muito. A trajetória que ela teve que seguir sozinha depois do atentado foi muito difícil. Foi difícil ela olhar nos olhos dos pais e perceber que eles, as pessoas que deveriam conhecê-la melhor do ninguém, duvidavam dela e achavam que ela era um mostro por ter feito o que fez. Como se ela tivesse dado o primeiro tiro.

  Além disso, depois de um tempo, teve de retornar ao Colégio Garvin. Os olhares que ela recebeu, as conversas que escutava nos corredores, sem contar nas pessoas que a enfrentavam e diziam tudo o tinham para dizer.

  Valerie teve de enfrentar as dificuldades que seu retorno no Colégio Garvin trouxeram. Olhares que feriam mais do palavras, conversas paralelas que ela era obrigada a ouvir. Será que as coisas realmente eram desse jeito... por que tinha que ser assim?

  Confesso que o desenrolar da história me surpreendeu e mexeu comigo de uma forma que eu não imaginava. Sem sombra de dúvidas recomendo esse livro para todos vocês. Não por que ele tem uma boa história, mas por que na maioria das vezes não somos capazes de entender ao certo o que pessoas, que como Valerie, passam em determinadas situações que talvez nunca venhamos a experimentar. Por conta disso, acabamos sendo negligentes quanto ao sofrimento dos outros.

  Se você já leu, indique para seus amigos. Se não, adicione a sua lista de leitura por que realmente vale a pena!



9 comentários :

  1. Ótima resenha! Bem detalhada

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  2. Eu perdi um pouco do interesse por esse livro por parecer um livro tolo adolescente, mas pela sua resenha, me enganei. Colocarei na minha lista. bjs

    amo-os-livros.blogspot.com.br

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    1. Que bom que mudou de ideia! Quando você ler me conta o que você achou.
      Beijos

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  3. Não consigo imaginar como deve ser passar por uma situação dessas e depois ter que voltar a frequentar a mesma escola,imagino os sofrimento ,a humilhação, o medo.

    Não imaginava que esse livro falava de algo tão doloroso e profundo, imaginei que fosse mais um livro bobo juvenil,mas não, e acho que preciso lê-lo,até porque tenho dois adolescentes em casa e tudo que me faça entendê-los melhor,é sempre bem vindo.

    bjsss

    Apaixonadas por Livros

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    1. Espero que goste do livro. Ele mexeu muito comigo e virou um dos meus favoritos.

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  4. Oiee!
    Eu já ouvi falar muito bem desse livro, mas não sabia exatamente
    do que se tratava a estória. A única coisa que eu sabia era da tal
    lista mas nem fazia ideia da participação do namorado dela nessa
    tragédia toda.

    Deve ser uma leitura bem pesadinha pra acompanhar tudo pelo que a
    Val passa e imagino até que em certo ponto ela se culpe por ter
    criado a lista. Nunca li nada desse tipo e com certeza esse vai
    pra minha wishlist.

    Beijinhos,
    Sala de Leitura

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    1. Quando eu fiquei sabendo desse livro demorei um tempinho para lê-lo e me arrependo só de não ter lido antes. Depois quero ver resenha sua lá no seu blog hem!

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  5. Poxa, eu li esse livro esperando muito mais, no final considerei uma leitura morna. Sempre vejo resenhas elogiando e me sinto um ET hahaha.


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