Mansfield Park - Jane Austen

13 de mai de 2016



Sinopse:

“Na literatura, esperamos que o herói seja vigoroso, tenha um espírito aventureiro, audácia, bravura, capacidade de superação e uma pitada de imprudência. Ele deve ser ativo, enfrentar obstáculos e afirmar a própria energia. Fanny Price, a heroína de Mansfield Park, é o oposto de tudo isso. Frágil, tímida, insegura e excessivamente vulnerável, a pequena Fanny deixa a casa dos pais pobres para morar com os tios mais afortunados em Mansfield Park. Lá, convive com diversos familiares, mas se aproxima apenas do primo Edmund, seu companheiro inseparável. A tranquilidade de casa, no entanto, é abalada com a chegada dos irmãos Mary e Henry Crawford em uma propriedade vizinha. Edmund se apaixona por ela, enquanto Henry flerta com todas as moças.
Mansfield Park é o romance que marca a maturidade de Jane Austen. Apresenta um tom mais contido, sardônico, em comparação com obras idealizadas antes, como Orgulho e preconceito e Razão e sensibilidade. Aqui, mais consciente dos verdadeiros males e sofrimentos inerentes à vida em sociedade, uma das maiores autoras da língua inglesa enaltece, na figura de Fanny, a imobilidade, a solidez, a permanência e a resignação. ”

   Sou suspeita quando se trata das obras da Jane Austen. Meu primeiro contato com os livros dela foi na adolescência com o clássico Orgulho e Preconceito. Desde então me encantei com a escrita dela, com os detalhes das histórias, em como para mim é uma leitura fácil e envolvente. Mansfield Park é um dos meus favoritos.  Mas vamos ao que interessa.

   As tias de Fanny Price, lady Bertram e Sra. Norris decidem ajudar a irmã, que não teve um bom casamento e tem muitos filhos, pegando um dos pequenos para criarem juntas.


“ A sra. Norris muitas vezes observava aos outros que não tirava da cabeça a pobre irmã e a família dela, e que, por mais que todos houvessem feito em seu favor, ela carecia de muito mais; e, por fim, não conseguia esconder que desejava aliviar a pobre sra. Price do peso e da despesa de um dos seus numerosos filhos.
– E se juntas assumíssemos o cuidado da filha mais velha, uma menina agora com nove anos, uma idade que exige mais atenção do que poderia dar-lhe a pobre mãe? O problema e os gastos seriam ínfimos se comparados com a benevolência do ato. ”


   Conforme a leitura avança temos uma noção da personalidade de cada um deles. Mas a sra. Norris deixa bem claro que tipo de pessoa é quando logo no começo, arruma desculpas para deixar a menina inteiramente sob responsabilidade da lady Bertram.

   De qualquer forma, a Fanny vem morar com os tios. Na casa ela conhece seus primos Tom e Edmund, com que desenvolve uma linda amizade, e suas primas Julia e Maria. Assim que passara a conviver juntas, as diferenças em relação a educação e modos tornaram-se cada vez mais evidentes. 


Fanny, perto ou longe das primas, na sala de aula, de visitas ou nos arbustos, sentia-se desamparada da mesma forma e encontrava algo a temer em cada pessoa e lugar. Ficava desanimada pelo silêncio de lady Bertram, intimidada pela aparência séria de sir Thomas e bastante arrasada pelas repreensões da sra. Norris. As primas mais velhas mortificavam-na como os comentários sobre seu tamanho, e envergonhavam-na quando notavam sua timidez. ”


   Pensar que uma criança teve de passar por tudo isso, somado ainda a saudade que sentia do lar, dos seus irmãos, da sua vida, não me surpreenderia se ela crescesse e se tornasse uma pessoa amargurada, cheia de comentários maldosos. Mas para minha alegria isso não acontece. 

   Fanny cresce e se torna uma linda moça, educada, sábia e que sabe o seu lugar. Assim ela vai levando a vida até que chegam nas redondezas Henry e Mary Crawford. Dois irmãos pelos quais a família dela se encanta.  

   A partir daí as coisas começam a ficar cada vez mais interessantes. O caráter de cada um desses personagens vai sendo mostrado aos poucos e você começa a perceber que as vezes, um lar estável, com vestidos e livros bons, aulas de etiqueta, línguas e tudo mais não são premissas para uma boa educação de fato. 

   Esse livro foi um daqueles em que eu comecei e não consegui parar de ler. E sem sombra de dúvidas, eu amei o final do livro, tanto que ele é um dos meus queridinhos.


5 comentários :

  1. Olá, Priscila.
    Diferente de você, acho a escrita da autora bem difícil e o único dela que gostei até hoje foi Orgulho e Preconceito e isso porque já amava o filme. Esse eu ainda não conhecia mas a história me pareceu interessante. Se der eu vou ler.

    Blog Prefácio

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    1. Oi Sil, tudo bem?
      Que bom que se interessou pela história. Quando ler me conte o que achou.
      Beijos

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  2. Oi, Pri!
    Eu tenho de começar a ler os livros da Jane que eu tenho aqui. Eu acho que esse está entre eles.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  3. Também discordo na questão de ''escrita fácil'' quanto à Austen, principalmente pela época que ela escreveu, tirando A Abadia de Northanger (que achei mais simples e com uma leitura mais fluída). Não que isso faça dela uma ruim autora (JAMAIS!!!).

    Gostei muito da sua resenha. Passo aqui mais vezes! See ya ;*

    Lolla. ♥
    https://lollandunicorns.blogspot.com.br/

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    1. Oi Lolla tud bem?
      Mas é como eu disse, pra mim é uma leitura fácil. Acho que é porque de tanto ler livros assim, eu me acostumei com a escrito. E você tem toda a razão, isso não tira os créditos da Jane Austen rsrs
      Li esse também e gostei, embora não tanto quanto Mansfield Park.

      Beijos

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